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29/07/2010 :: Comitê de Serra cria esquadrão antiboato
JOSIAS DE SOUZA - Folha.com
DE BRASÍLIA
O comitê de campanha do presidenciável José Serra (PSDB) montou um "esquadrão antiboato". É composto por 15 equipes de repórteres e cinegrafistas. Percorrem o país à procura de "boatos".
Produzem relatórios para o núcleo de marketing da campanha, comandado pelo jornalista Luiz Gonzalez.
Em privado, Serra se diz convencido de que o PT, partido de Dilma Rousseff, espalha rumores com o intuito de prejudicar sua campanha.
A opinião é compartilhada pelos operadores do comitê tucano. Num cenário de disputa apertada, decidiu-se priorizar a desmontagem das supostas aleivosias.
Na madrugada de quarta, plugado à web, Serra rebateu, em resposta a um internauta, um dos "boatos" que considera mais frequentes: "É claro que não é verdade", anotou Serra no Twitter. "Privatização do Banco do Brasil é puro terrorismo eleitoral."
Antes, na terça-feira, num ato de campanha em Palmas (TO), Serra acusara "cabos eleitorais petistas" de promoverem "mentiras, insultos e truques". Como exemplo, citara o "boato" de que privatizaria a Ceagesp, vinculada ao Ministério da Agricultura.
'É tudo cabo eleitoral", rebatera Serra, "não é gente que entende de abastecimento. Quem vai perder o emprego é esse pessoal, que está lá por nomeação política e não entende nada do assunto".
Líder do governo na Câmara e integrante do comitê de Dilma, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) reage com ironia: "Parece piada. Como falta discurso ao Serra, ele vem agora com essa história de boatos. Isso não existe nem é necessário", disse.
"O que inspira a desconfiança em Serra é o comportamento do candidato", diz: "Quando diz que vai dobrar os investimentos do Bolsa Família, ninguém acredita".
"Nas reuniões com empresários", acrescentou Vaccarezza, "aparece outra dúvida frequente. Eles não sabem o que o Serra faria com o Banco Central e o câmbio".
Alheio à negação, o comitê tucano age para desmontar "evidências" de boataria que diz ter detectado nos relatos das equipes de reportagem.
Mencionam-se dois exemplos. Um supostamente recolhido no Nordeste. Outro, na Amazônia. No primeiro, uma gerente de agência da CEF teria dito a uma beneficiária do Bolsa Família que, sob Serra, o programa seria extinto.
No segundo, um partidário de Dilma teria declarado que, se eleito, o tucano extinguiria concursos públicos e demitiria os servidores.
"Essa história de central de boatos não cola", Vaccarezza rebate: "Não precisamos disso". Para ele, quem recorre ao "jogo rasteiro" é Serra: "Nós não entraremos nesse jogo. Vamos manter a nossa linha, que é a de discutir os rumos do país".
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